terça-feira, 23 de junho de 2009

Mercado da Fé

Frei Betto – 26/05/09 - Adital
Como os supermercados, as Igrejas disputam clientela. A diferença é que eles oferecem produtos mais baratos e, elas, prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação.
Por enquanto, não há confronto nessa competição. Há, sim, preconceitos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial às de raízes africanas, como o candomblé e a macumba, e ao espiritismo.
Se não cuidarmos agora, essa demonização de expressões religiosas distintas da nossa pode resultar, no futuro, em atitudes fundamentalistas, como a "síndrome de cruzada", a convicção de que, em nome de Deus, o outro precisa ser desmoralizado e destruído.
Quem mais se sente incomodada com a nova geografia da fé é a Igreja Católica. Quem foi rainha nunca perde a majestade... Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil decresceu 20% (IBGE, 2003). Hoje, somos 73.8% da população. E nada indica que haveremos de recuperar terreno em futuro próximo.
Paquiderme numa avenida de trânsito acelerado, a Igreja Católica não consegue se modernizar. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras de bispos e padres. O resto são coadjuvantes. Aos leigos não é dada formação, exceto a do catecismo infantil. Compare-se o catecismo católico à escola dominical das Igrejas protestantes históricas e se verá a diferença de qualidade.
Crianças e jovens católicos têm, em geral, quase nenhuma formação bíblica e teológica. Por isso, não raro encontramos adultos que mantêm uma concepção infantil da fé. Seus vínculos com Deus se estreitam mais pela culpa que pela relação amorosa.
Considere-se a estrutura predominante na Igreja Católica: a paróquia. Encontrar um padre disponível às três da tarde é quase um milagre. No entanto, há igrejas evangélicas onde pastores e obreiros fazem plantão toda a madrugada.
Não insinuo assoberbar ainda mais os padres. A questão é outra: por que a Igreja Católica tem tão poucos pastores? Todos sabemos a razão: ao contrário das demais Igrejas, ela exige de seus pastores virtudes heróicas, como o celibato. E exclui as mulheres do acesso ao sacerdócio. Tal clericalismo trava a irradiação evangelizadora.
O argumento de que assim deve continuar porque o Evangelho o exige não se sustenta à luz do próprio texto bíblico. O principal apóstolo de Jesus, Pedro, era casado (Marcos 1, 29-31); e a primeira apóstola era uma mulher, a samaritana (João 4, 28-29).
Enquanto não se puser um ponto final à desconstrução do Concílio Vaticano II, realizado para renovar a Igreja Católica, os leigos continuarão como fiéis de segunda classe. Muitos não têm vocação ao celibato, mas sim ao sacerdócio, como acontece nas Igrejas Anglicana e Luterana.
Ainda que Roma insista em fortalecer o clericalismo e o celibato (malgrado os escândalos frequentes), quem conhece uma paróquia efervescente? Elas existem, mas, infelizmente, são raras. Em geral, os templos católicos ficam fechados de segunda à sexta (por que não aproveitar o espaço para cursos ou atividades comunitárias?); as missas são desinteressantes; os sermões, vazios de conteúdo. Onde estão os cursos bíblicos, os grupos de jovens, a formação de leigos adultos, o exercício de meditação, os trabalhos voluntários?

Em que paróquia de bairro de classe média os pobres se sentem em casa? Não é o caso das Igrejas evangélicas, basta entrar numa delas, mesmo em bairros nobres, para constatar quanta gente simples ali se encontra.
Aliás, as Igrejas evangélicas sabem lidar com os meios de comunicação, inclusive a TV aberta. Pode-se discutir o conteúdo de sua programação e os métodos de atrair fiel. Mas sabem falar uma linguagem que o povo entende e, por isso, alcançam tanta audiência.
A Igreja Católica tenta correr atrás com as suas showmissas, os padres aeróbicos ou cantores, os movimentos espiritualistas importados do contexto europeu. É a espetacularização do sagrado; fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão. É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13, 20-21).
Não quero correr o risco de ser duro com a minha própria Igreja. Não é verdade que ela não tenha encontrado novos caminhos. Encontrou-os, como as Comunidades Eclesiais de Base. Infelizmente não são suficientemente valorizadas por ameaçarem o clericalismo.
Aliás, as CEBs realizarão seu 12º Encontro Intereclesial de 21 a 25 de julho deste ano, em Porto Velho (RO). O tema, "Ecologia e Missão"; o lema, "Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia". São esperados mais de 3 mil representantes de CEBs de todo o Brasil.
Bom seria ver o papa Bento XVI participar desse evento profundamente pentecostal.
[Autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Garamond), entre outros livros]. Escritor e assessor de movimentos sociais

sexta-feira, 12 de junho de 2009

CONGRESSO NOVAS GERAÇÕES E VIDA RELIGIOSA


Aconteceu em Manágua (Nicarágua), entre os dias 22 a 24 de abril de 2009, o Congresso Novas Gerações e Vida Religiosa, com o lema: “A vida e a esperança que irradiam as Novas Gerações”. No 30 de maio, um dos representantes do Brasil no congresso, Wesley Soares de Araújo, transmitiu para os grupos Novas GErações de São Paulo a síntese final do Congresso e os compromissos assumidos pela Região Cone Sul.


SÍNTESE GERAL

SINAIS DE VIDA NOVA

Encontro com Jesus Cristo – O encontro pessoal com Jesus Ressuscitado leva a aprofundar nossa opção de vida e a renovar nossas motivações vocacionais no amor que liberta.

Comunidades e novas relações – A vida comunitária onde se criam laços de unidade, comunhão, se apresentam novas relações a partir do diálogo, perdão, consensos e acordos.

Participação e intercongregacionalidade – Experiências intercongregacionais, interculturais e com leigos, que promovam o diálogo e a escuta na formação e na missão. A participação protagonista das Novas Gerações de maneira comprometida com as Conferências Nacionais.

Revitalização – O redescobrimento de nossa identidade, a partir de uma leitura de nossas carismas, desde a escuta da realidade e dos sinais dos tempos, como busca de autenticidade e credibilidade na Igreja e na sociedade que levam a assumir novos desafios.

DESAFIOS

Identidade das Novas Gerações – Construir nossa identidade como Novas Gerações a partir da unidade e da diversidade de nossos carismas, criando comunidade a partir do que somos vivendo com fidelidade e coerência nossa vida.

Compromisso místico-profético – Fortalecer desde um encontro pessoal com Jesus e a vida de oração nosso compromisso místico-profético, contemplando a realidade atual para responder com gestos solidários as situações dos mais empobrecidos.

Recriar estruturas – Buscar com abertura as estruturas da VR que respondam a nossa época, para propor novos modos de viver nossa consagração.

Formação na Vida Religiosa – Possibilitar uma formação que favoreça as relações circulares e dialogantes entre a VR com o povo de Deus e o clero diocesano. Uma formação que integre o humano, espiritual, comunitário e profissional. Recuperar a gratuidade na VR.

Relações Humanas – Crescimento e naturalidade nas relações humanas, aceitando a própria fragilidade, esvaziando de nós mesmos e assumindo o caminho do diálogo, para sermos testemunhas doa valores do Reino.

REGIÃO CONE SUL


TEMAS
Dois temas que as Novas Gerações do Cone Sul deve escolher para que seja possível a revitalização da Vida Religiosa.

Relações humanas: integrando nossas dimensões psicológica-afetiva, espiritual e sóciocósmiica, que possibilite espaços de diálogo, de aceitação, de aproximação na comunidade e nossos povos.
Compromisso místicoprofético: desde o encontro com Jesus respondendo a realidade atual com gestos solidários e de cuidado com os excluídos.

PREIORIDADES DAS LINHAS DE AÇÃOAções concretas que podem ser desenvolvidas em relação às Novas Gerações em nível de CLAR, Conferências e Congregações para responder a estes grandes temas ou núcleos programáticos.

CLAR
Elaborar subsídios para dar a conhecer a reflexão do Congresso, incentivando as NG’s a uma participação ativa, acompanhando as conferências no processo de vivência das linhas de ação.
Elaborar um documentário ou filme da vida dos profetas e profetizas de hoje para testemunhar o acontecer do Reino em nosso mundo.
Que as reflexões do congresso sejam retomadas na próxima assembléia da CLAR.

CONFERÊNCIAS

Promover espaços de reflexão ou encontros nos países ou regiões sobre os temas tratados no Congresso.
Aproximação das Conferências e das congregações para poder dar continuidade ao seguimento do Congresso.

CONGREGAÇÕES

Compromisso de cada um/uma para fazer chegar em sua congregação a experiência do Congresso.
Propor uma revisão dos planos de formação (Formadores e formandos)

domingo, 7 de junho de 2009

"Amizade
Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida
mas somente verdadeiros amigos
deixarão pegadas no seu coração.
Para lidar consigo mesmo, use a cabeça,
para lidar como os outros, use o coração,
raiva é a única palavra de perigo.
Se alguém te traiu uma vez, a culpa é dele;
Se alguém te trai duas vezes, a culpa é sua.
Quem perde dinheiro, perde muito,
Quem perde um amigo, perde mais.
Quem perde a fé, perde tudo.
Jovens bonitos são acidentes da natureza:
Velhos bonitos são obras de arte.
Aprenda também com o erro dos outros,
você não vive tempo suficiente para cometer todos os erros.
Amigos você e eu... Você trouxe outro amigo... Agora somos três...
Nós começamos um grupo...
Nosso círculo de amigos...
E como um círculo, não tem começo nem fim...
Ontem é história:
Amanhã é mistério, Hoje uma dádiva,
É por isso que é chamado presente..."
Fabiano Lustosa